A MÚSICA LITÚRGICA: ELEVAR A CRISTO

Um dos aspectos mais característicos da liturgia católica é a música sacra. Numa celebração da Santa Missa solene boa parte dela é composta por textos cantados que têm a sua função específica.

De maneira geral o canto litúrgico pode ser substituído por partes rezadas, mas prioriza-se partes cantadas principalmente aos domingos, solenidades e alguns dias festivos.Cantando a assembleia reunida manifesta a nobreza do ato litúrgico oferecido a Deus, a alegria de celebrar os mistérios pascais e a profundidade da oração do povo. No Concílio Vaticano II foi promulgado um documento sobre a Liturgia, chamado Sacrosanctum Concilium. Nele lemos que “a tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene”, (SC 112). Isso nos leva a perceber o quão importante é o aspecto musical da liturgia e o quanto deve ser repensado e cuidado. 

A liturgia, toda ela, é uma obra de Deus em favor do povo e do povo para o louvor de Deus. Na Santa Missa o Sacrifício de Jesus se atualiza, o Pai é glorificado e o povo santificado. Assim, tudo o que cerca a liturgia da Missa deve manifestar esse aspecto do sacrifício pascal, os ares de eternidade e a ponte que liga Deus e homem. Por isso, as músicas utilizadas devem ser reafirmação ou reprodução dos textos sagrados, bíblicos ou litúrgicos, pois por meio dos cantos fixa-se na cabeça e no coração das pessoas ideias importantes que conduzem a profundas reflexões.
A música eleva a pessoa a Deus. Palavras e melodias favorecem para esse encontro entre Criador e criatura, divino e humano, sagrado e profano. O canto nos faz mais absortos nos mistérios, mais devotos e reverentes diante daquele que dá-se nos, na humildade sublime do pão e do vinho no altar. Por isso, cada canção deve se propor a ser um fio condutor da alma a Deus ou ainda, palavras e toques que calam o homem para que se ouça a Cristo.
Tratar de música sacra e litúrgica é, portanto, tratar de uma saída do homem de si mesmo para encontrar a Cristo. A música deve ser, então, litúrgica, orante, evangélica, reveladora, elevadora, cheia de paz, que acalma e silencia o coração do homem, para que cada um possa ser capaz de não olhar pra si, mas olhar para o Cristo que quer viver em cada um de nós. A música que eleva o homem à altura de si mesmo, não deve ser considerada no culto divino, pois o que não fala de Cristo.

 assiantura frei isael

 

 

Cavaleiro da Imaculada | Outubro-2020  Nº 478 | Pagina: 12-13