Do espírito da pobreza

Frei Adailton Borges OFM.Conv

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5,3)

Em nossos dias, a palavra “pobreza” está por demais gasta em nossos lábios, podendo discursar de diversos pontos de vista. Uma realidade que não toca a nossa vida, todo o modo

de ser e agir, não deixando sermos afetados pelo que a pobreza nos quer dizer. Ao contrário dos discursos que nós ouvimos cotidianamente acerca da pobreze, contrapondo-a com a riqueza, Francisco de Assis, destaca-a como sendo toda envolta do espírito evangélico.

A Admoestação faz referência ao texto Bíblico, citando as Bem-aventuras, mencionando a pobreza de espírito. E logo de início, fazemos uma diferenciação entre espírito e carne, assim como normalmente fazemos com a pobreza e a riqueza. Mas, o espírito ou espiritualidade, nos fala de um modo de agir pobre, ultrapassando uma realidade que esteja no simples possuir objetos.

Como bem destaca o referido texto das Fontes Franciscana, mesmo estando em profunda oração, fazendo penitências, abstinências, mas, por causa de uma só palavra, injuria-se, causando escândalo e perturbação, nestes o espírito de pobre não habita. Pois, os de espírito pobre, não dá importância a seus interesses, tendo sempre em vista o outro, seja ele bom ou mal.

Assim, mais ou menos diz São Francisco o seguinte: Há muita gente que manda brasa e se exercita, dia e noite com muito empenho, para se libertar, se purificar e se dispor para adquirir uma identidade profunda. No entanto, todo esse zelo, todo esse empenho ainda não é garantia para ser bom mesmo na pobreza. Pois, com tudo isso posso estar engordando o meu próprio orgulho, de tal sorte que qualquer coisa que realmente me atinja me derruba com facilidade.

Com isso, a Pobreza em Francisco de Assis, tem um nome, e este é Jesus Cristo o Crucificado. Esvaziando-se de sua condição divina, assume a mortalidade da natureza humana (Fl 2, 6-8), mostrando que a única riqueza é a posse do Reino dos Céus. Então, a pobreza como característica da carência de não ter, revela-se no pobre de Assis, como uma Pessoa encarnada, que age livremente, desprendido de si, e de tudo que o circunda, não encontrando satisfação na posse dos bens terrenos (Mt 4, 8). É por isso que em outro texto das Fontes (Sacrum Commercium), qualifica a Pobreza como desprendimento, disponibilidade, benevolência e pura doação.

Ao descobrirmos que a Pobreza é uma pessoa, e não a falta de coisas, isto nos deve causar um espanto, de modo que mude todo o nosso jeito de pensar e agir, deixando-se ser moldados pelo próprio Cristo, que se fez pobre por amor a nós. Para chegar a tal fim, é preciso o “pobre de espírito odiar a si mesmo”. Isto é, tudo aquilo que em mim e fora de mim, desafasta do projeto de Deus, vai contra a esta forma de ser pobre.   

Amados irmãos e irmãs, “a senhora Pobre é o modo de ser, inaugurado, vivido e consumado na terra, trazido do Céu por Jesus Cristo, do abismo do Mistério do Amor, chamado Santíssima Trindade. É a revelação do mais íntimo recolhimento de Deus de Jesus Cristo, Deus que nos amou primeiro; é ternura e vigor do Deus que se tornou um de nós até sua última gota de sangue, para nos testemunhar quão intima, profunda e misericordiosa é a paixão de seu amor” (Introdução dos tradutores – Sacrum Commercium). 

 

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